¨ Na introspecção das funduras ¨
Tuesday, April 25, 2006
Num instante sonhador, onde o romantismo reina e o futuro vê-se reflectido, sinto o erotismo da tua pele como aqueles instantes repentinos.
O bater acelerado do coração surge. O gosto de ti sente-se.
A imaginação recai no presente como algo intransigente, dá-se o puxão de cabelos e a reviravolta dos corpos. Algo se pressente nas profundezas do útero. Fecha-se os olhos numa reivindicação louca, na revolta do gemido entalado.
Escuta-se o estalar do esforço físico, o malabarismo da dança do prazer, a dor que sacia. As palavras semi-ditas encurraladas nos sons estranhos que aglomeram as gotas de suor que unem os Seres.
O auge dos limites não encontra teto como refúgio. A junção das duas partes numa só encontram-se numa humidade intensa, num cheiro violento, no bafo da loucura pairado nas quatro paredes.
Esta é a guerra do amor que atinge seu clímax no fim. O carinho encontra-se no fogo que existe dentro de nós…
Aí eu acordo num novo amanhecer, amanhã talvez, eu torne a sentir o erotismo da tua pele, noutro rosto, noutro olhar… mas certamente com o mesmo empenho e sentimento.
Sunday, April 23, 2006
Saudade Lusitana

Na encruzilhada da definição deste termo e da sua impossível tradução, onde encontra raízes não em Portugal, mas no povo português, surge a dificuldade de exprimir em palavras o seu significado.
Os mares revoltos, saciaram a descoberta deste povo valente e consequentemente a característica tão peculiar que envolve este sentimento, ou seja, a alegria de sofrer e sofrer por se sentir alegre.
É nas entranhas de cada português que sentimos esta controvérsia. A saudade sente-se pelo mais simples aroma até à memória de uma vivência e à formosura da convivência.
Designada por sentimento, pensamento, lembrança ou sofrimento, saudade é sentida por todo o Ser Humano, desde o embrião até ao auge da sabedoria, digamos, à pessoa idosa.
Parasita sempre presente, a saudade encurrala-nos na forma em que vivemos e como cobiçamos viver. Muitas vezes, a forma como desejaríamos que determina situação decorresse, leva-nos a ter saudade.
É o roncar de lá do fundo que frui a alma, nesses instantes, pequena, esgotada, fracassada, frágil… O dia parece revoltado, a lágrima que canta dá a sentença ao coração desprotegido e a esgana de viver é a sobrevivência do sonho incorrupto de ser terminável.
Protelamos o presente por um passado fantasiado, entretanto a saudade invade, fica e dói. É muito vivo nas nossas vidas e nada melhor como mergulhar na cultura lusitana para acarretar esse estranho “mendigo” que é a saudade.
Foi esta saudade que me mobilizou por aventuras alheias onde o sonho persiste.
